Mau colesterol e triglicerídeos podem ser controlados com ajuda de microalga

André Benevides

Uma microalga pode ser a mais nova arma no controle do colesterol, principalmente do tipo LDL (sigla em inglês para low-density lipoprotein), que em excesso pode representar riscos à saúde. Pacientes suplementadas com doses diárias de chlorella pyrenoidosa durante oito semanas tiveram, ao fim dos experimentos, a concentração de LDL reduzida de 147 miligramas por decilitro (mg/dL) para 120 mg/dL, em média.

"As concentrações saíram de um valor limítrofe do recomendável e atingiram patamares considerados desejáveis", relata a nutricionista Érica Martins Gomes Chaves, que apresentou os resultados à Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, em sua dissertação de mestrado.

O estudo também constatou que houve uma redução dos triglicerídeos, que são lipídios constituídos por três cadeias de ácidos graxos que, assim como a LDL, constituem um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV). Neste caso, as concentrações estavam em torno de 149 mg/dL e passaram a 128 mg/dL, nível considerado saudável.

Além disso, também foram observadas mudanças antropométricas nas pacientes, como perda de peso média de 4 quilos e redução no Índice de Massa Corpórea (IMC). A pesquisadora adverte, no entanto, que os resultados não são definitivos, podendo estar sujeitos a alguns fatores, como a motivação das voluntárias e a saciedade provocada pela ingestão diária dos comprimidos. "Foi verificada a variável, mas não se isolou possíveis interferências", explica.

Érica acrescenta ainda que as pacientes reduziram, sem que isso fosse solicitado, a quantidade de alimento ingerida, o que provavelmente interferiu nos resultados. "É possível afirmar apenas que a suplementação com a microalga colaborou na redução do consumo alimentar, fazendo com que as pacientes perdessem peso. Conseqüentemente, isso fez com que elas tivessem seus perfis lipídicos melhorados."

Apesar dos resultados positivos, Érica ressalta que a suplementação baseada na chlorella não é aconselhável para todos os casos. "Cerca de 70% do colesterol no organismo é o próprio metabolismo que produz. O ideal é que as concentrações de HDL (sigla em inglês para high-density lipoprotein), o "bom" colesterol, sejam aumentadas e as de LDL reduzidas por uma dieta balanceada". Segundo ela, a regulação por fármacos só deve acontecer se a concentração no sangue (ou sérica) estiver extremamente elevada e a pessoa não responder à dieta ou se for constatado que o organismo está comprometido por problemas fisiológicos.

Pesquisa
Os estudos de Érica foram realizados com três grupos de mulheres dislipidêmicas (com alterações nas concentrações de lipídios séricos como colesterol, LDL e triglicerídeos) entre 21 e 45 anos, sendo que um deles recebia apenas placebo. Os outros dois recebiam doses de 5 e 10 g de chorella. Os resultados mais significativos foram observados principalmente neste último grupo, mas mesmo o que recebeu uma menor quantidade da microalga apresentou resultados positivos, como a redução no colesterol sérico.

A pesquisa teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e foi orientada pelo professor Júlio Tirapegui, do Laboratório de Bioquímica da Nutrição da FCF. Os comprimidos utilizados nos experimentos foram importados por uma empresa japonesa.

Mais informações: (0XX11) 3091-3309, no Laboratório de Bioquímica da Nutrição